sábado, 1 de julho de 2017

Sexualidade rima com Liberdade

Não tenho formação em psicologia, nem em sexologia, por isso este artigo deve ser lido numa perspetiva filosófica.

A sexualidade é uma característica intrínseca ao ser humano, por força da sua natureza genética animal. Ao fazer votos de celibato, um ser humano estará necessariamente a assumir uma posição de rejeição/confronto àquilo que a natureza lhe determina. 

A anterior afirmação, não pode ser confundida, nem reaproveitada para limitar a liberdade do individuo na forma como escolhe praticar a sua sexualidade. Desde que essa prática seja feita dentro dos limites «humanamente, socialmente e legalmente reconhecidos», da consciência e consentimento dos seus pares.

Algumas instituições religiosas, na imposição do celibato como condição necessária à integração numa determinada função (ex. sacerdotes), estão necessariamente a exigir/impor uma confronto à vontade/liberdade individual, em troca de uma aceitação institucional. Esta prática, é alias coerente, com a postura frequente destas intuições na negação do direito/reconhecimento da liberdade sexual.

Lamento imenso, pelo enorme suporte social, que ainda existe a estas intuições, quando estas procuram colocar-se acima da própria natureza na tentativa de tentar estabelecer "pela força humana" o seu conceito exclusivo de sexualidade.

Mais do que lamentar, preocupam-me os potenciais desequilíbrios psicológico associados a este confronto interno com a natureza individual. Haverá relação entre os imensos casos de desvios graves de natureza sexual no abuso de menores por parte de membros destas intuições, e os efeitos psíquicos do celibato?

Estará a Igreja, e mesmo admitindo um nobre intento de criar pastores,  por força do seu condicionamento sexual, a criar lobos ?

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Longo caminho pela frente

Desde pequenos que somos ensinados sobre a importância da “bondade” e da “maldade”, através da educação da nossa família, da escola, e da religião -quando nos é dada-. Vamos afinando também este sentido, pelas nossas opiniões, e pelas opiniões do que nos rodeiam.

Quando o tempo que os pais têm para estar com os filhos é cada vez mais reduzido. A escola tem cada vez mais matéria para ensinar, e menos tempo para educar, e as religiões são incapazes de adotar a tão necessária liberdade intelectual. As crianças crescem sem sentidos, em confusão.  As fontes de educação e discernimento são tão fracas, que a educação moral se passa a definir pela persistência. A comunicação mais presente, é aquela que se afigura como a realidade, e que lhes dá a interpretação sobre o que é bom e mau.

A atracão causada pelos comunicadores mais próximos, sejam por natureza religiosa, política, intelectual, ou qualquer outra, torna-se mais determinante que a intimidade ou o cuidado da relação com o educador. A evolução da tecnologia e dos meios de comunicação social é capaz de anular a supremacia da presença e da proximidade da família.

Os grandes grupos de agregação social: a religião, a política e o futebol, fundamentalizam o sentimento de pertença/posse, de tal forma que os seus símbolos, rituais e cores são adotados numa intensidade de adoração, cega e racionalmente incapacitante.

A juntar a tudo isto, há os preconceitos, os rótulos de fundação empírica, estatística, ou meramente ideológica que automaticamente impõe julgamento sobre alguém, face a uma determinada característica humana, física, ou social.

Há uma imensa diversidade de grupos especializados e dedicados a cada uma destas dificuldades, infelizmente, na minha opinião, os resultados estão ainda muito aquém do desejado.

Desejo que sejamos capazes de estabelecer métodos mais simples e mais sólidos de orientação, capazes de suportar seres humano de bom carácter, resistentes a doenças psico-sociais, antigas ou contemporâneas.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

A minha história

A minha história é uma daquelas, em que a palavra, mais do que a apresentação, pensamento ou conhecimento foi criando a pessoa, tanto no entendimento, como no desentendimento.

A infância nasceu na paixão, no sonho, no desconhecido, com as emoções aguçadas naquilo que de mais intenso se pode esperar em brincadeiras de criança.

A adolescência trouxe a rebeldia e o tom de voz, como é tão habitual em muitos outros rapazes. Mas decidiu ficar, o pequeno jovem e o jovem adulto, continuaram nesse registo rebelde, com tantos rótulos: infantilidade, má educação e personalidade “forte”. O coração conduzia a boca, a um ritmo que o cérebro tinha dificuldade em acompanhar. Sentir primeiro, exprimir primeiro, pensar muito depois. O pedido de desculpa torna-se o hábito de salvação, sentida, repetida, mas num remendo que nem sempre cobria o rasgo.

O trabalho trouxe novo desafio, ao contrário das amizades e companhias, os colegas e os superiores não se escolhem, fazem parte do emprego que se tem que ter, uns maus e outros bons.

O brilho que parecia reluzente, torna-se cada vez mais cinzento, até que se apaga na escuridão. Sentindo-se apenas a pulsos, num manifesto de resistência.

Do apagão nasce a luz, tímida no brilho, mas cândida na essência.

Que a vida me permita continuar a crescer no brilho que dou e recebo entre aqueles que amo.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Lentamente, docemente...

A corrida acabou, mas o carro não parou. 
Perde-se o controlo, sai-se violentamente do caminho, caindo por uma ravina, acelerando até ao chão, A vegetação ampara, e por entre os destroços vai-se sentido a respiração,  
Há um corpo que se levanta, um perigo que passa, uma cicatriz que sara, mas que marca.

Acreditei que viajando rápido chegaria  mais longe, e assim o fiz, de tal forma que por vezes não me dei conta ao errar o caminho. Acabei longe sim, mas sozinho, e não naquele lugar onde queria estar.

Desfaço-me do turbo e volto à estrada, com a mesma vontade e confiança em chegar longe, mas com a calma para levar os que são meus na viagem.

sábado, 12 de novembro de 2016

Crescendo com mérito

O mundo do trabalho, é por ventura aquele onde mais frequentemente se debate o mérito das pessoas ou das decisões. Será que merece aquele salário ? Será que merece aquela autoridade ?

Com o flagelo do desemprego, o mérito aplica-se ainda algo a mais trivial como ter ou não direito a um trabalho remunerado. Não havendo trabalho para todos, ou pelo menos dentro dos critérios de quem os procura, espera que os consiga, os consiga por mérito.

A nível profissional identificou essencialmente dois tipos distintos de mérito, o mérito pela necessidade, e o mérito pela influência.

O mérito pela necessidade eu entendo como aquele que é conseguido na resposta  a uma necessidade funcional do seu empregados. O mérito pela necessidade é vulgarmente atribuído "àquela pessoa dedicada e muito trabalhadora". Quando atingido de forma mais individual que colectiva, a busca por este mérito pode frequentemente levar à exaustão. Cabe ao individuo procurar o mérito de uma forma equilibrada.

O mérito pela influência, eu entendo como aquele que se consegue pela capacidade de influenciar o trabalho de uma equipa, ou de uma empresa para que de forma que de forma colectiva consigam responder às necessidades. O mérito por influência umas vezes é conseguido pela via técnica, pela partilha de conhecimento ou invenção, outras vezes pela via humana, pela carisma, empatia, e motivação.

Nos últimos anos tenho conseguido obter o reconhecimento pelo mérito de necessidade. Nu futuro e através do meu crescimento como pessoa, espero  conseguir o mérito por influência, sendo que esse, é um caminho bem mais longo.

sábado, 29 de outubro de 2016

Estudar, trabalhar, casar

"Estudar, trabalhar, casar" assim se poderia resumir "ordem dourada" socialmente estabelecido. A lógica é a do sustento, o estudo sustentará o trabalho, e o trabalho sustentará o casamento.

E quando a realidade não se resume à ordem ? O estudo não garante trabalho, nem o trabalho garante casamento.

No caos temos que nos reinventar, criar o nosso caminho, diferente do que outro modelo de vida nos ensinou. Um caminho que não conhecemos, para o qual não temos mapa. Umas vezes entrando em becos sem saída, que nos forçam a retroceder, que nos desiludem, que nos fazem perder tempo, que nos forçam a retroceder para só depois retomar a caminhada.

Nos piores momentos tentamos compreender o que falhou, não porque nos sintamos falhados, mas porque saímos da ordem que tínhamos como certa.

Por vezes receamos pelos que levamos ao colo, será o caminho desconhecido demasiado difícil para eles ?

Nada na vida é certo, há que aprender que a incerteza nos conduz na magia que é a própria vida.

Fico grato, por todos aqueles que se cruzam no meu caminho, e especialmente àqueles que caminham comigo.



segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Flor do Monte (23/03/96)

Havia uma flor no monte,
tão bonita de se olhar.
Regava-a uma fonte,
que não a deixava secar.

Era grande essa flor,
e parecia cheia de vida.
Assim como o amor,
talvez numa serra perdida.

Quando chegava a Primavera,
então a flor acordava.
E tudo o que dela era,
ao belo sol brilhava.

As borboletas ia beijando,
causando-lhe impressão.
E ainda dava beijinhos,
a quem lhe estendesse a mão.

Era amiga das crianças,
que lhe faziam companhia.
Conhecia as suas esperanças,
vivia da sua alegria.

Um dia um homem chegou,
trazendo uma pá na mão.
E foi assim que começou,
aquela grande construção.

E a fonte que ali existia,
pelo foi tapada.
Pois tudo o que ele queria,
era alguma terra sem nada.


-- João Pinto