domingo, 12 de fevereiro de 2017

Longo caminho pela frente

Desde pequenos que somos ensinados sobre a importância da “bondade” e da “maldade”, através da educação da nossa família, da escola, e da religião -quando nos é dada-. Vamos afinando também este sentido, pelas nossas opiniões, e pelas opiniões do que nos rodeiam.

Quando o tempo que os pais têm para estar com os filhos é cada vez mais reduzido. A escola tem cada vez mais matéria para ensinar, e menos tempo para educar, e as religiões são incapazes de adotar a tão necessária liberdade intelectual. As crianças crescem sem sentidos, em confusão.  As fontes de educação e discernimento são tão fracas, que a educação moral se passa a definir pela persistência. A comunicação mais presente, é aquela que se afigura como a realidade, e que lhes dá a interpretação sobre o que é bom e mau.

A atracão causada pelos comunicadores mais próximos, sejam por natureza religiosa, política, intelectual, ou qualquer outra, torna-se mais determinante que a intimidade ou o cuidado da relação com o educador. A evolução da tecnologia e dos meios de comunicação social é capaz de anular a supremacia da presença e da proximidade da família.

Os grandes grupos de agregação social: a religião, a política e o futebol, fundamentalizam o sentimento de pertença/posse, de tal forma que os seus símbolos, rituais e cores são adotados numa intensidade de adoração, cega e racionalmente incapacitante.

A juntar a tudo isto, há os preconceitos, os rótulos de fundação empírica, estatística, ou meramente ideológica que automaticamente impõe julgamento sobre alguém, face a uma determinada característica humana, física, ou social.

Há uma imensa diversidade de grupos especializados e dedicados a cada uma destas dificuldades, infelizmente, na minha opinião, os resultados estão ainda muito aquém do desejado.

Desejo que sejamos capazes de estabelecer métodos mais simples e mais sólidos de orientação, capazes de suportar seres humano de bom carácter, resistentes a doenças psico-sociais, antigas ou contemporâneas.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

A minha história

A minha história é uma daquelas, em que a palavra, mais do que a apresentação, pensamento ou conhecimento foi criando a pessoa, tanto no entendimento, como no desentendimento.

A infância nasceu na paixão, no sonho, no desconhecido, com as emoções aguçadas naquilo que de mais intenso se pode esperar em brincadeiras de criança.

A adolescência trouxe a rebeldia e o tom de voz, como é tão habitual em muitos outros rapazes. Mas decidiu ficar, o pequeno jovem e o jovem adulto, continuaram nesse registo rebelde, com tantos rótulos: infantilidade, má educação e personalidade “forte”. O coração conduzia a boca, a um ritmo que o cérebro tinha dificuldade em acompanhar. Sentir primeiro, exprimir primeiro, pensar muito depois. O pedido de desculpa torna-se o hábito de salvação, sentida, repetida, mas num remendo que nem sempre cobria o rasgo.

O trabalho trouxe novo desafio, ao contrário das amizades e companhias, os colegas e os superiores não se escolhem, fazem parte do emprego que se tem que ter, uns maus e outros bons.

O brilho que parecia reluzente, torna-se cada vez mais cinzento, até que se apaga na escuridão. Sentindo-se apenas a pulsos, num manifesto de resistência.

Do apagão nasce a luz, tímida no brilho, mas cândida na essência.

Que a vida me permita continuar a crescer no brilho que dou e recebo entre aqueles que amo.