segunda-feira, 16 de junho de 2014

O Isolamento

Vivemos numa sociedade cada vez mais exclusiva, favorecendo assim o isolamento. O labor perde a dimensão social, e a vizinhança torna-se uma condição puramente espacial. 
Na escuridão do isolamento seguiremos qualquer luz, por vezes por lugares que nunca pensámos caminhar.

Na estreiteza do caminho, o equilíbrio torna-se difícil e as mãos são poucas para segurar. Sustenta-nos a fé pelo amor que já recebemos, e que ansiamos dar. Tremores, quedas, e lágrimas, fazem parte da caminhada, no final sorriremos, de volta à nossa estrada.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Concentração

A concentração é uma capacidade cuja importância não é ainda suficientemente acautelada no processo educativo. É-nos colocada simplesmente como um processo essencial à aprendizagem.
No entanto, a concentração tem sobre a aprendizagem um efeito catalisador variável, sendo assim possível a muitas pessoas, obter níveis de aprendizagem razoáveis ainda que com pouco exercício/desenvolvimento da concentração. As limitações por uma capacidade de concentração menos desenvolvida podem-se sentir numa fase mais adulta da vida.

A memória, ou capacidade de memorização é uma das áreas potencialmente afectadas pela concentração. Na ausência dela, recebemos informação em excesso de tal forma que o nosso cérebro é incapaz de identificar os pontos "chave" que conduzem à localização da memória.

A motivação pode também ser afectada, com particular relevância sobre motivos que nos são externos, onde a criação e manutenção da motivação são exigentes do ponto de vista de força anímica. Quando o motivo é mantido de forma contínua, o esforço pela sua manutenção é menor quando comparado com a sua perda e recuperação.

Quantas vezes já nos aconteceu desistirmos completamente de terminar algo pelo simples facto de termos sido interrompidos ?

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Culpa e Perdão

A culpa nasce na consciência que atribuímos às acções que prejudiquem alguém que nos importe. O perdão nasce na compreensão e tolerância.

Para o ser humano é muito mais fácil imaginar do que compreender. Por isso mais facilmente imaginamos aquilo que conduz à culpa, do que compreendemos aquilo que nos poderia conduzir ao perdão.

A culpa pode tornar-se  numa doença, e o perdão a sua cura.

A culpa é fácil, demasiado fácil, o perdão difícil, demasiado difícil.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Demasiada Bondade

A bondade é apreciada até um certo ponto, quando a mesma se apresenta a outros como um prejuízo próprio injustificável, facilmente é conotada com fraqueza.

Numa sociedade em que o egoísmo se tornou intrínseco, é mais fácil valorizar a preocupação com o próprio como auto-estima, do que aceitar o sacrifício pelo próximo como bondade.

Vivemos infelizmente numa época em que fortes são aqueles que atingem a meta sem olhar para trás, e fracos são aqueles que ficam pelo caminho ajudando os que caiam a seu lado.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Força Interior

A lei que rege a força interior humana é -por agora- terreno desconhecido, a psicologia tem feito alguns avanços mas é infelizmente uma área de estudo com muito pouco investimento/adopção.

Durante milénios temos sido dominados por ideologias que defendem a insignificância da força humana por subordinação a outras forças ditas omnipotentes. Alguns defendem que esta subjugação é necessária para a manutenção da ordem. Eu acredito que tem servido para manter a ordem sim, mas com sacrifício de muitos, para beneficio de muito poucos.

No mundo actuam uma infinidade de forças, algumas que conhecemos tão bem que as conseguimos alterar, outras que nos são ainda totalmente desconhecidas. A nossa força individual é uma força desconhecida, não a sabemos medir, nem as regras por que se rege. Assim, acreditar que o resultado da nossa vida é determinado por forças externas, é uma questão de fé, e não de facto.

O resultado da nossa força é imprevisível a equação da vida é demasiado complexa,  por vezes o resultado é positivo, outras negativo, outras simplesmente anulado por outras forças. A única certeza que temos é sobre o resultado da força interior nula.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Preconceito

O preconceito é um problema psico-social determinante no desequilibro das relações humanas. Algumas das formas mais nocivas de preconceito predominaram durante séculos, e ainda hoje existem de forma muito significativa, são exemplos o racismo, xenofobia e sexismo.

Nos países ocidentais tem-se verificado uma evolução na protecção legal contra o preconceito, infelizmente a mudança cultural é bem mais lenta, em algumas áreas acredito que há até retrocessos.

O problema é complexo na medida em que o preconceito está integrado no processo natural de aprendizagem e transmissão de conhecimento do ser humano. Surge muito por especulação e transmissão ideológica, e muito raramente resulta por experiência factual.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Os Pastorinhos de Fátima

Fátima é um dos ícones culturais portugueses, o local das alegadas aparições tornou-se um dos grandes complexos turísticos da Igreja Católica. Muita gente apela e celebra com Nossa Sra. de Fátima, infelizmente muito pouca se dirige aos pastorinhos, aqueles sem os quais a história de Fátima nunca teria existido.

Jacinta, falecida com 9 anos, Francisco, falecido com 10 anos, e Lúcia em cativeiro durante 88 anos.

Que o mês de Fátima nos lembre de todas as crianças, o seu direito à alegria, fantasia e liberdade.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Pugilismo Empresarial

Já algumas vezes me tenho deparado com situações de "pugilismo" empresarial, especialmente em relações cliente-fornecedor. Na nossa cultura a tentativa de ridicularizarão/diminuição do próximo é  tida como algo "macho".

Em alguns casos acontece pelo sentido de protecção comercial, noutros por vulgo instinto de superioridade. Há que aprender a ter consciência e reflexão quando nós próprios nos deixamos envolver nesta espiral. Se por um lado somos frutos da sociedade, por outro lado é através de nós que ela evolui.

A violência, ainda que verbal e encapotada, fere as pessoas.


segunda-feira, 5 de maio de 2014

Sociedade da Cunha

Numa sociedade dominada pela cunha e pelo compadrio, escasseia o espaço para recrutar pela apetência e competência. Atingimos o cúmulo de ter pais a escolher a escolas dos filhos por critérios de influência potencial, ou seja, na expectativa de que os colegas de hoje sejam os compadres do futuro. A importância dos conhecimentos a nível de relações pessoais sobrepõe-se à dos conhecimentos técnico-científicos.

O abandono que se tem verificado do nosso país, especialmente a nível do ensino superior não é fenómeno com causa meramente económica. Não saberão por vezes o que os espera lá fora, mas sabem certamente o que irão encontrar cá dentro. Não basta ser brilhante, pois a sociedade condiciona fortemente o espaço e a vontade para se brilhar.

domingo, 4 de maio de 2014

Sociedade para o Catolicismo Humanista

Depois de ter visto -mais- um filme sobre a segunda guerra mundial: "The Monuments Men", fiz uma breve pesquisa histórica sobre as motivações de Hitler para o genocídio dos Judeus, acabei por divagar um pouco pelo Judaísmo.

Algures na pesquisa fui dar com a organização "Society for Humanistic Judaism", achei o conceito tão interessante que decidi traduzir para português e adaptar para o catolicismo.

Princípios Fundamentais como Membros:

- Afirmamos a nossa identidade como membros da comunidade Católica, encontrando a força na sua história, cultura e conquistas. Vemos a nossa história como um testemunho da luta pela dignidade humana, e, tal como a história de outros povos, o produto das decisões e das acções do Homem.

- Demonstramos os nossos laços ao catolicismo através da celebração humanística dos dias santos e rituais de vida. Críamos e utilizamos eventos não religiosos mantendo os fundamentos históricos. O nosso objectivo é o de preservar um ambiente de identidade, integridade intelectual e ética comportamental entre os participantes.

- Afirmamos o valor do estudo e discussão sobre os diversos temas que afectem o ser humano. Utilizamos como fontes, a observação, experimentação, criatividade e expressão artística, para responder às questões sobre o mundo e procurando compreender as nossas experiências.

- Procuramos soluções para os conflitos da humanidade, que digam respeito à liberdade, dignidade, e auto-estima de qualquer ser humano. As nossas decisões éticas são baseadas na avaliação das consequências dos nossos actos.

- Acreditamos que é ao ser humano que cabe a responsabilidade de resolver os problemas por ele causado. Estamos empenhados, conforme a tradição católica, no suporte e acção social. Cada um de nós assume a responsabilidade pelo seu próprio comportamento, e todos nós colectivamente assumimos a responsabilidade pelo estado do mundo.

sábado, 3 de maio de 2014

Domingo de Infância

O ritual domingueiro é uma das recordações que retenho de criança. Primeiro a monotonia e aborrecimento da Missa, depois o ambiente mais descontraído e amistoso da Catequese. Lá aprendia muitas histórias sobre Deus, Jesus Cristo e outras personagens interessantes.

Há algo que me fazia alguma confusão: Qualquer coisa que tivesse acontecido antes dos meus avós terem nascido, era muito antigo e assim eram aquelas histórias. Aqueles acontecimentos fascinantes existiam desde que o Homem foi criado, e entretanto pararam pouco depois da morte de Jesus Cristo, quando voltaríamos ter algo de fascinante ? Seria no meu tempo de vida?

Não me lembro de ter questionado as catequistas sobre isto, provavelmente julgando que a minha cabecinha de criança era muito pequena para perceber tais mistérios da vida.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Os Sonhos

Os sonhos nascem no sossego do sono, ou na fúria de uma ideia e em segundos conseguem-nos transportar para aos locais ou criações mais incríveis. Não há truques, os sonhos são a realidade de um momento, aquele momento, curto, longo ou eterno.

À medida que crescemos as memórias vão competindo com os sonhos na utilização do pensamento. A vida adulta está repleta de afectos, emoções, regras e obrigações, que nos ocupam continuamente.

Lamento por aqueles que, colocando o conhecimento como o objectivo máximo de realização de uma vida, privem as suas crianças da magia do sonho.